Porque falar de motivação em uma coluna destinada a empreendedores?
Em um dado momento, os empreendedores percebem, pelo bem ou pelo mal, que sua capacidade de realização é limitada, e que invariavelmente, necessitam de outras pessoas para realizarem a sua obra.
Nem sempre a competência de estabelecer metas, planejar, correr riscos e aproveitar oportunidades está associada à capacidade de lidar com pessoas. Dar ordens é muito fácil, difícil é conseguir convencer, persuadir, e diminuir a resistência para que as pessoas ajam em direção a um objetivo comum.
Como definiu Peter Drucker, uma “arte de mobilizar pessoas para que estas queiram lutar por aspirações compartilhadas” pode ser o grande diferencial daqueles empreendedores que dão certo. Uma arte de gerar movimento nas pessoas, ou seja, de mobilizar, para que estas lutem por desejos compartilhados. Cada vez mais os empreendedores necessitam da dimensão humana em suas empresas, e nessa hora, buscam ajuda.
É muito comum ouvir, a clássica frase: “eu gostaria que você motivasse a minha equipe”. Nunca se falou tanto em motivação. A pergunta que deve ser feita é “alguém é capaz de motivar alguém?” É possível dar motivos a uma pessoa?
Por vício de linguagem, podemos acreditar que a pessoa motivada é aquela que aparenta uma alegria contagiante, ou que é mais disposta para trabalhar. Confundimos animação com motivação. Estar motivado é, ao contrário do que parece, estar em falta de algo, é o estado de privação, que antecede ou não a uma ação. Pare e pense um pouco. Sempre que você tem sede, você busca por água? Pois é, nem sempre buscamos aquilo que efetivamente nos motiva. Conhecer as suas reais motivações é um passo evolutivo.
Existem pessoas que sentem falta de um corpo atlético, ou de um diploma, e passam uma vida inteira sem fazer nada por isso. Estar motivado é estar com uma falta, com uma necessidade não satisfeita e que gera um determinado movimento em busca da saciação desta necessidade.
Pela proximidade entre motivação e estado de ânimo, muitos “profissionais” das mais diversas áreas se auto-intitulam “motivadores”, o que não passa de engodo! É possível alterar o estado de ânimo, já a motivação…
As mais respeitadas teorias motivacionais, elaboradas por estudos sérios e reconhecidos pela comunidade científica mundial, decretam que ninguém motiva ninguém. Agora convenhamos, é divertido assistir por algo em torno de uma hora, uma palestra onde um sujeito nos faz lembrar do pai, da mãe, de momentos importantes da vida, de algumas conquistas, de algumas perdas e de como as superamos, e ao final, após umas lágrimas, embalados por uma envolvente música, estouramos algumas bexigas, abraçamo-nos uns aos outros, e choramos nos sentindo aliviados. Tudo isso se desfaz dois dias depois quando nos deparamos com os mesmos problemas nos ambientes de trabalho, onde as coisas não acontecem como deveriam, ou pelo menos como esperamos que aconteçam. Seu funcionário não executa a tarefa com o comprometimento desejado; seu diretor é autoritário e usa o poder do cargo para compensar a falta de poder fora da empresa; o dono, ou quem está à frente da empresa e seus parentes, brincam de serem empresários profissionais; ou seja, nada mudou!
Desenvolver um ambiente favorável para que as pessoas possam buscar saciar as suas motivações é trabalho sério, feito por profissionais competentes e determinados. A natureza dessa tarefa é árdua e exige seriedade e maturidade por parte da empresa, para lidar com uma crença muitas vezes implícita: “mais um daqueles cursos ou programas que sabemos onde vai dar, faremos um grande esforço, mas aquilo que realmente deveria ser mudado, não vai ser”.
Em resumo, fica aqui o alerta que a ciência decreta, ninguém motiva ninguém, chega de palestras motivacionais, de planos mirabolantes que premiam com uma TV de 29 polegadas, e que buscam transferir para uma premiação, ou para uma palestra que mais parece um show pirotécnico, a difícil tarefa de valorização das pessoas nos ambientes de trabalho.

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