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Hábil incompetência
3/04/2009

Paradoxal! Pode mesmo parecer incabível, mas algumas pessoas conseguem desenvolver ao longo do tempo uma inacreditável habilidade de serem incompetentes, e algumas, fazem até escola!

Não, não estou me referindo ao nosso serviço público, mesmo porque aí seria “pescar no balde”. Refiro-me à sua, à minha, às nossas empresas mesmo. Tenho observado que diversos profissionais acabam construindo um universo de dificuldades, muitas delas inexistentes, que justificam todo um repertório de desculpas para enaltecer a sua incompetência.

Essa forma de funcionar é muito elaborada e nova. Nós estávamos acostumados a lidar com pessoas que criavam uma série de dificuldades para tentar encobrir a sua incompetência, ao contrário, hoje em dia podemos observar que a incompetência não é mais velada, o copo quebrado não está mais escondido no fundo do armário, agora ele está sobre a mesa, onde todos podem vê-lo, mas o conjunto de justificativas que antes eram pequenas desculpas hoje se tornou uma construção muito elaborada de “verdades” acerca das impossibilidades de se cumprir uma tarefa da forma adequada.

A diferença é sutil, mas existe, e na sua essência, dificulta uma ação que possa minimizar os seus impactos e aí mora o perigo! Um hábil incompetente deixa poucas opções para que se resolva o problema do seu setor, geralmente as soluções passam por transformações que envolvem a empresa toda, e geralmente não com ele.

É como em um debate onde se está discutindo a questão do emprego no Brasil e o nível da discussão transcende as questões práticas e imediatas, e se chega à conclusão que para termos mais empregos, devemos promover primeiro uma reforma política! Enquanto isso meu amigo, sua casa será assaltada e alguns milhares de crianças morrerão de fome! E é bem provável que as pessoas do debate não tenham que mover uma única palha para que a reforma aconteça.

O hábil incompetente é capaz de fazer com que todos reconheçam que há um problema, e que ele não faz parte do problema e, portanto, também não faz parte da solução. Ao contrário de encobrir o problema, ele exalta a situação, mas de tal forma que apesar da perplexidade de todos, nada influenciará a sua rotina.

As empresas que não são capazes de diagnosticar a presença de seus hábeis incompetentes e ainda muitas vezes reforçam o seu comportamento através da cultura organizacional, acabam por envolver-se em emaranhados de falsos “problemas verdadeiros” e não atingem seus objetivos uma vez que gastam enormes quantidades de energia na busca de soluções paliativas para situações que na realidade são objetivas e de fácil solução.

Olhar de forma pragmática para as situações, atribuir responsabilidades, determinar aquilo que deve ser feito com autonomia para a tomada de decisão e acima de tudo, não deixar-se enganar por engodos comportamentais, vai muito além de negar a existência de problemas e fazer o jogo do contente, mas são caminhos para evitar a criação de uma cultura que privilegie os hábeis incompetentes!

Lembre-se: “sua empresa não tem problemas”.

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