Muito se fala de crescimento sustentável nas empresas, mas hoje iremos falar de crescimento pessoal sustentável como base para todos os outros. Não resta dúvida que uma boa dose de autoconhecimento não faz mal a ninguém, mas em se tratando de um empreendedor, podemos afirmar que é essencial essa característica.
Imaginemos um empreendedor que não conheça suas próprias características de comportamento, que tenha dificuldade de tomar contato com seu próprio desempenho e com seus próprios resultados.
Fica difícil de imaginar que um empresário atribua a responsabilidade de seus resultados negativos a fatores externos, e os positivos a seu brilhantismo que muitas vezes aparece travestido de coragem, perseverança ou criatividade, mas é mais comum encontrar isso do que parece.
Há um enorme esforço de modificar a percepção dos resultados na busca incessante de se proteger e de não ferir uma autoimagem meticulosamente construída. É como se ouvíssemos de um jogador de futebol muito acima do seu peso que o problema de seu desempenho está nos demais jogadores, ou no futebol moderno que valoriza demais a velocidade. Nesse caso, como se trata de uma ilustração gritante, fica fácil de observar esse fenômeno, porém, em outros casos mais sutis, é preciso mais atenção para se perceber tal manobra.
Ouvir de um empresário que o resultado negativo do mês está associado aos feriados, à concorrência, ou a outros fatores externos facilmente nos induz a acreditar que realmente não houve a participação dele nos problemas enfrentados.
Essa manobra aparece na maioria das vezes nos empresários menos maduros (aqui vale lembrar que maturidade emocional nem sempre está relacionada com a maturidade fisiológica) na busca pela preservação da autoimagem e da autoestima.
Tomar contato com seus próprios resultados, e admitir que seus erros são fruto de suas escolhas e que somente ao reconhecê-las e avaliá-las será possível promover mudanças verdadeiras, esse sim é o caminho para um crescimento sustentável, que parte de dentro para fora, e não de fora para dentro, como nossa ingenuidade muitas vezes desejou.
O caminho é árduo, incômodo muitas vezes, afinal, quem gosta de ficar olhando para os próprios problemas? Mas quão sustentável é promover uma mudança de comportamento sem conhecer a si mesmo e conseguir traçar uma conexão entre o seu comportamento e seus resultados? Mudar por mudar não leva ninguém a lugar nenhum, e mudar aquilo que é óbvio também não!
Acredito que o grande ganho das pessoas que desenvolvem a autoperceção é poderem mudar aquilo que as atrapalha, mas que elas desconhecem profundamente, e para conseguirem ter acesso a essa informação, necessitam ouvir mais e reconhecer melhor o seu comportamento.
Sair do autoengano e passar a perceber-se melhor é como acender uma potente lanterna em um oceano de escuridão.