Pode-se notar que a formação tradicional não está capacitando para as necessidades das empresas na mesma velocidade das mudanças provocadas pelo mercado global.
As empresas que buscam competir em mercados de alta concorrência, enfrentam diariamente as dificuldades de recrutar e selecionar pessoas que reúnam competências para se cumprir os audaciosos objetivos e alcançar os resultados organizacionais. Um caminho para superar tal situação é a criação de uma política de desenvolvimento de pessoas compatível com as necessidades organizacionais, aliada a estratégias de retenção de talentos.
Conciliar o saber declarativo, com a experiência adquirida e uma atitude convergente com os objetivos organizacionais é o grande desafio dos gestores que buscam implantar uma gestão por competências. Atualmente, um novo desafio é dado a esses profissionais da gestão de pessoas, são responsáveis por buscar equacionar o estresse ocupacional.
As empresas que se diferenciaram nos últimos anos foram aquelas que remanejaram a estrutura de gestão de pessoas para suas áreas de estratégia organizacional, e não as deixaram como áreas de apoio. Esse esforço de interpretação e amadurecimento das ações de treinamento e desenvolvimento de pessoas agora voltam o seu olhar para as questões mais complexas da saúde emocional do trabalhador, e com razão.
Segundo o Ministério da Previdência Social, no Brasil em 2007, foram mais de 580 mil afastamentos dos trabalhadores por incapacidade temporária, e algo em torno de uma morte a cada três horas relacionadas ao risco decorrente dos fatores ambientais. Em média trinta e um trabalhadores por dia não retornaram ao trabalho devido a invalidez ou morte.
As crises econômicas, ao longo de nossa história, sempre agravaram as patologias que envolvem o trabalho. A necessidade de resultados, a urgência de soluções e a emergência de fatores intervenientes nos negócios evocam condições de trabalho que afetam diretamente a saúde do trabalhador.
A preocupação de se perder pessoas para o mercado, que dificultava o investimento em capacitação, agora é agravada pela possibilidade de perda de pessoas para o próprio cenário em que a organização se encontra e para o clima e ambiente organizacional muitas vezes pautado na competitividade acirrada e na valorização da capacidade de suportar estresse e superar desafios.
Os dados nos mostram que as empresas não perdem mais seus talentos para os concorrentes, os perdem para si mesmas, pela falta de capacidade de lidar com as consequências humanas causadas pelo estresse ocupacional, e entram em um redemoinho da falta de competências individuais. Focadas em suas competências essenciais, muitas vezes deixam de olhar para a construção de suas equipes e considerar fatores que as estão adoecendo.
Ainda encontramos em larga escala a pouca autonomia dada aos profissionais, os problemas de relacionamento na estrutura hierárquica, os problemas de relacionamento entre os colegas e a falta de cooperação, os conflitos entre trabalho e família, e ainda um forte sentimento de desqualificação diante das tarefas executadas, sem a devida noção do grau de importância de cada membro da equipe, por menor que seja a sua função. A resultante disso ainda é um forte sentimento de falta de realização pessoal no trabalho, que acarreta em pouco comprometimento com as tarefas e com o resultado organizacional.
O recrutamento e seleção das empresas não irá suprir as necessidades de recolocação de pessoas enquanto não trabalharmos verdadeiramente os ambientes a fim de reduzir significativamente o estresse ocupacional.
Um abraço!