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Despotismo nas empresas
7/07/2008

A linha que separa o exercício da liderança e o despotismo é tênue e muitas vezes permeável.

Na busca por resultados que tornem as organizações competitivas, é muito fácil encontrarmos na figura de quem está á frente de pessoas e grupos, profissionais que se assemelham mais a déspotas do que a líderes, seja por fatores pessoais ou não. Da mesma forma que os líderes, os déspotas também são carismáticos e hábeis nas relações com pessoas, porém há uma diferença no que tange a pessoas que é fundamental, os déspotas colocam o grupo a serviço de suas necessidades e interesses pessoais. Preocupados com o poder e status, usam a causa do grupo para aumentar o seu poder e obter visibilidade.

Além disso, os déspotas costumam apropriar-se do que é do grupo e lhe devolver como se fosse um gesto magnânimo, dando a impressão de fundamental papel na capacidade criativa do grupo. Alimentam a dependência, têm pouca capacidade de lidar com autonomia do grupo, sentindo-se intimamente diminuídos e ofendidos.

Mais importante que enumerar as diferenças entre líderes e déspotas, é observar os efeitos que ambos causam sobre as pessoas às quais exercem influência direta.

Algumas organizações não apenas buscam profissionais deste quilate como valorizam e justificam tal postura.

As equipes norteadas por tal padrão de valores tendem muitas vezes a alcançar metas e objetivos, mas será que os fins justificam os meios?

Fica nítido ao observarmos essas empresas, o distanciamento perceptual existente entre a competitividade e sustentabilidade, já que pessoas não podem ser vistas apenas como mais um recurso a ser administrado, substituído, remanejado ou simplesmente descartado.

As organizações que irão perdurar serão aquelas que encontrarem a viabilidade econômico-finaceira através das relações de significado e sentido do trabalho para todas as pessoas, onde o papel de quem estiver à frente das equipes será de facilitador, buscando a criação de vínculos pessoais e dando atenção ao sentimento de uns pelos outros, evitando a sabotagem e, portanto o fim da vida grupal.

Devolver às pessoas o real sentido pelo qual trabalham é sem dúvida o maior desafio das organizações que buscam não apenas competir, mas alcançarem uma condição que lhes permitam ser perenes.

 


A Falácia Motivacional
7/07/2008

Porque falar de motivação em uma coluna destinada a empreendedores?

Em um dado momento, os empreendedores percebem, pelo bem ou pelo mal, que sua capacidade de realização é limitada, e que invariavelmente, necessitam de outras pessoas para realizarem a sua obra.

Nem sempre a competência de estabelecer metas, planejar, correr riscos e aproveitar oportunidades está associada à capacidade de lidar com pessoas. Dar ordens é muito fácil, difícil é conseguir convencer, persuadir, e diminuir a resistência para que as pessoas ajam em direção a um objetivo comum.

Como definiu Peter Drucker, uma “arte de mobilizar pessoas para que estas queiram lutar por aspirações compartilhadas” pode ser o grande diferencial daqueles empreendedores que dão certo. Uma arte de gerar movimento nas pessoas, ou seja, de mobilizar, para que estas lutem por desejos compartilhados. Cada vez mais os empreendedores necessitam da dimensão humana em suas empresas, e nessa hora, buscam ajuda.

É muito comum ouvir, a clássica frase: “eu gostaria que você motivasse a minha equipe”. Nunca se falou tanto em motivação. A pergunta que deve ser feita é “alguém é capaz de motivar alguém?” É possível dar motivos a uma pessoa?

Por vício de linguagem, podemos acreditar que a pessoa motivada é aquela que aparenta uma alegria contagiante, ou que é mais disposta para trabalhar. Confundimos animação com motivação. Estar motivado é, ao contrário do que parece, estar em falta de algo, é o estado de privação, que antecede ou não a uma ação. Pare e pense um pouco. Sempre que você tem sede, você busca por água? Pois é, nem sempre buscamos aquilo que efetivamente nos motiva. Conhecer as suas reais motivações é um passo evolutivo.

Existem pessoas que sentem falta de um corpo atlético, ou de um diploma, e passam uma vida inteira sem fazer nada por isso. Estar motivado é estar com uma falta, com uma necessidade não satisfeita e que gera um determinado movimento em busca da saciação desta necessidade.

Pela proximidade entre motivação e estado de ânimo, muitos “profissionais” das mais diversas áreas se auto-intitulam “motivadores”, o que não passa de engodo! É possível alterar o estado de ânimo, já a motivação…

As mais respeitadas teorias motivacionais, elaboradas por estudos sérios e reconhecidos pela comunidade científica mundial, decretam que ninguém motiva ninguém. Agora convenhamos, é divertido assistir por algo em torno de uma hora, uma palestra onde um sujeito nos faz lembrar do pai, da mãe, de momentos importantes da vida, de algumas conquistas, de algumas perdas e de como as superamos, e ao final, após umas lágrimas, embalados por uma envolvente música, estouramos algumas bexigas, abraçamo-nos uns aos outros, e choramos nos sentindo aliviados. Tudo isso se desfaz dois dias depois quando nos deparamos com os mesmos problemas nos ambientes de trabalho, onde as coisas não acontecem como deveriam, ou pelo menos como esperamos que aconteçam. Seu funcionário não executa a tarefa com o comprometimento desejado; seu diretor é autoritário e usa o poder do cargo para compensar a falta de poder fora da empresa; o dono, ou quem está à frente da empresa e seus parentes, brincam de serem empresários profissionais; ou seja, nada mudou!

rev_pn_2Desenvolver um ambiente favorável para que as pessoas possam buscar saciar as suas motivações é trabalho sério, feito por profissionais competentes e determinados. A natureza dessa tarefa é árdua e exige seriedade e maturidade por parte da empresa, para lidar com uma crença muitas vezes implícita: “mais um daqueles cursos ou programas que sabemos onde vai dar, faremos um grande esforço, mas aquilo que realmente deveria ser mudado, não vai ser”.

Em resumo, fica aqui o alerta que a ciência decreta, ninguém motiva ninguém, chega de palestras motivacionais, de planos mirabolantes que premiam com uma TV de 29 polegadas, e que buscam transferir para uma premiação, ou para uma palestra que mais parece um show pirotécnico, a difícil tarefa de valorização das pessoas nos ambientes de trabalho.