A linha que separa o exercício da liderança e o despotismo é tênue e muitas vezes permeável.
Na busca por resultados que tornem as organizações competitivas, é muito fácil encontrarmos na figura de quem está á frente de pessoas e grupos, profissionais que se assemelham mais a déspotas do que a líderes, seja por fatores pessoais ou não. Da mesma forma que os líderes, os déspotas também são carismáticos e hábeis nas relações com pessoas, porém há uma diferença no que tange a pessoas que é fundamental, os déspotas colocam o grupo a serviço de suas necessidades e interesses pessoais. Preocupados com o poder e status, usam a causa do grupo para aumentar o seu poder e obter visibilidade.
Além disso, os déspotas costumam apropriar-se do que é do grupo e lhe devolver como se fosse um gesto magnânimo, dando a impressão de fundamental papel na capacidade criativa do grupo. Alimentam a dependência, têm pouca capacidade de lidar com autonomia do grupo, sentindo-se intimamente diminuídos e ofendidos.
Mais importante que enumerar as diferenças entre líderes e déspotas, é observar os efeitos que ambos causam sobre as pessoas às quais exercem influência direta.
Algumas organizações não apenas buscam profissionais deste quilate como valorizam e justificam tal postura.
As equipes norteadas por tal padrão de valores tendem muitas vezes a alcançar metas e objetivos, mas será que os fins justificam os meios?
Fica nítido ao observarmos essas empresas, o distanciamento perceptual existente entre a competitividade e sustentabilidade, já que pessoas não podem ser vistas apenas como mais um recurso a ser administrado, substituído, remanejado ou simplesmente descartado.
As organizações que irão perdurar serão aquelas que encontrarem a viabilidade econômico-finaceira através das relações de significado e sentido do trabalho para todas as pessoas, onde o papel de quem estiver à frente das equipes será de facilitador, buscando a criação de vínculos pessoais e dando atenção ao sentimento de uns pelos outros, evitando a sabotagem e, portanto o fim da vida grupal.
Devolver às pessoas o real sentido pelo qual trabalham é sem dúvida o maior desafio das organizações que buscam não apenas competir, mas alcançarem uma condição que lhes permitam ser perenes.
![]()
Desenvolver um ambiente favorável para que as pessoas possam buscar saciar as suas motivações é trabalho sério, feito por profissionais competentes e determinados. A natureza dessa tarefa é árdua e exige seriedade e maturidade por parte da empresa, para lidar com uma crença muitas vezes implícita: “mais um daqueles cursos ou programas que sabemos onde vai dar, faremos um grande esforço, mas aquilo que realmente deveria ser mudado, não vai ser”.